O GRUPO >
Histórico dos Parlapatões
 

A História dos Parlapatões

 

O grupo teatral Parlapatões surgiu em 1991, em São Paulo. Trabalham com a comédia, circo e teatro de rua. Além de seus espetáculos, mantêm o seu teatro, o Espaço Parlapatões, considerado um marco na revitalização do centro paulistano e o Galpão Parlapatões, centro de ensaios, treinamento e cursos geridos pelo grupo.

Em 1991, começaram apresentando números circenses e passando o chapéu. Aos poucos, os números ganharam uma forma teatral que gerou os dois primeiros espetáculos: Nada de Novo e Bem Debaixo do Nariz.

 

Em 1992, o espetáculo Parlapatões, Patifes e Paspalhões, que deu nome ao grupo, foi a primeira tentativa de elementos do teatro de rua e de circo dentro da sala de espetáculo.

Foi na montagem seguinte, que a junção destes recursos, baseados em uma dramaturgia própria, se efetivou. O espetáculo era Sardanapalo, encenado em um pequeno galpão, no Teatro Paulista, no qual sete palcos rodeavam o público que sentava ao centro em cadeiras giratórias. Destaque da Jornada SESC de Teatro de 1993, o espetáculo permaneceu dois anos em cartaz projetando nacionalmente o nome do grupo.

 

Em 1995, os Parlapatões foram vencedores do Prêmio Estímulo, da Secretaria de Estado da Cultura, e voltaram-se novamente a espetáculos de rua com Zèrói, uma grande produção circense teatral. Eram quatro toneladas de material, três dias de montagem, equipe de trinta pessoas, equivalente a grande circo na rua, sem lona, que se apresentou para plateias de 2 mil pessoas a cada sessão. Estes números grandes não se adequavam à realidade de produção artística do país, inviabilizando turnês. No entanto, gerou uma estrutura de trabalho que tornou o grupo ainda mais sólido.

U Fabuliô, em 1996, também montado para rua, deixou de lado os recursos circenses mais aparentes, como malabarismos e acrobacias, para concentrar-se nas técnicas de palhaço e em uma pesquisa sobre farsas medievais. O espetáculo abre como convidado a Jornada Sesc e tem destacada participação no FIAC – Festival Internacional de Artes Cênicas, realizado em São Paulo. Entre passagens pelos principais festivais de teatro do país, U Fabuliô também foi apresentado, a convite do governo Brasileiro, na EXPO 98, em Lisboa.

O Circo, sempre presente, ainda não havia sido tema específico dos espetáculos. Em 1997, acontece a estréia nacional de Piolim, no Festival de Curitiba e, em seguida, no dia do centenário do famoso palhaço Piolin, o espetáculo estréia em São Paulo, no Sesc Pompéia.

 

A manutenção dos espetáculos em repertório, objetivo do grupo, se efetivou para o público no evento Vamos Comer o Piolim, que reunia boa o repertório em temporada e ainda uma exposição sobre a vida do palhaço Piolin. Indicado ao Prêmio Shell, na categoria especial; e ao Prêmio Mambembe, entre grupos e produções que se destacaram em 97; ganhou o Grande Prêmio da Crítica 97- APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), pelo mesmo evento.

Em 1998, o espetáculo PPP@WllmShkspr.br estreou com grande sucesso de público e crítica no FTC - Festival de Teatro de Curitiba. Em seguida fez bem sucedida temporada no Teatro Faap, em São Paulo. PPP@WllmShkspr.br, de Jess Borgeson, Adam Long e Daniel Singer, com tradução de Barbara Heliodora e direção de Emílio Di Biasi, se firmou como grande sucesso de público do grupo. Foi apresentado em todos os principais festivais brasileiros e circulou por mais de 15 estados, chegando a mais de 30 cidades ao longo de dois anos. Foi o vencedor do Prêmio Apetesp na categoria melhor direção, onde havia sido indicado também em outras duas categorias, ator protagonista e espetáculo.

 

No mesmo ano, os Parlapatões lançaram o cd Circo, com vários artistas convidados, contando e cantando a História do Circo no Brasil, produzido pela Atração Fonográfica. O cd, que também vem encartado no livro Circo no Brasil (coleção História Visual), editado pela Funarte e Atração, foi indicado ao Prêmio Sharo como melhor gravação voltada para crianças. 

Ainda em 1998, estrearam o espetáculo Não Escrevi Isto, de Hugo Possolo, no Sesc Pompéia, vencedor do Prêmio Estímulo “Flávio Rangel” de 97. Texto que fecha a trilogia de Hugo Possolo, iniciada com Sardanapalo e Zèrói. Não Escrevi Isto recebeu o Prêmio Shell 98, na categoria de Melhor Cenografia.

Também em 1998, estrearam De Cá Pra Lá, De Lá Pra Cá, no Centro Cultural São Paulo, espetáculo patrocinado pelo Projeto Coca-Cola de Teatro Jovem. O espetáculo recebeu duas indicações ao Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem como Melhor Cenografia e na Categoria Especial, pela pesquisa e obra do grupo.

 

No início de 1999, fizeram temporada de grande sucesso no Rio de Janeiro, na Casa de Cultura Laura Alvim com PPP@WllmShkspr.br; De Cá Pra Lá, De Lá Pra Cá e Bem De baixo do Seu Nariz. Neste mesmo ano, viajaram em turnê por todo o Brasil levando PPP@WllmShkspr.br e outros espetáculos de seu repertório a outros estados.

A partir de outubro de 1999, passam a programar a Sala Repertório do Novo TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, reinaugurando o histórico Teatro. No decorrer de um ano e meio os Parlapatões mostraram parte de seu repertório e também realizaram novas montagens. No TBC, iniciaram o Projeto Pantagruel, de adaptação para o palco da obra de François Rabelais, com estréia prevista o segundo semestre de 2001.

Dentro do Projeto Pantagruel, estrearam em 1999, cinco espetáculos curtos que abordavam a temática pesquisada: Mistérios Gulosos, de Mário Viana; Água Fora da Bacia, de Avelino Alves; Poemas Fesceninos e Os Mané, de Hugo Possolo e Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagem, de Mário Viana.

Em maio de 2001, estrearam a nova versão de Sardanapalo, de Hugo Possolo, agora com direção do autor, no TBC, realizando bem-sucedida temporada, obtendo grande destaque na mídia nacional.

O Projeto Pantagruel, vencedor do Prêmio Estímulo “Flávio Rangel”, fecha o ciclo de montagens do grupo baseados em pesquisa sobre o da comédia, do carnaval e do humor na Idade Média. Assim, em novembro de 2001, estrearam o espetáculo Pantagruel, texto de Hugo Possolo e Mário Viana, direção de Hugo Possolo, que cumpriu temporada no Teatro Sesc Anchieta, onde estreou e no Teatro João Caetano, em 2002.

Em agosto de 2002, lançaram, através da editora Estampa, em parceria com o SESC São Paulo, o livro Riso em Cena – os dez anos de estrada dos Parlapatões, do jornalista Valmir Santos. Com depoimentos de diversos artistas e intelectuais, além de um panorama fotográfico da trajetória dos primeiros dez anos de atividades.

Em 2002, realizaram a turnê planejada de Sardanapalo, que se iniciou com uma temporada no Rio de Janeiro e percorreu por diversas capitais do país com patrocínio da Brasil Telecom.

No mesmo ano, realizaram em conjunto com os grupos Pia Fraus Teatro e La Mínima, o Circuito Pano de Roda, dentro do programa Petrobrás de Artes Cênicas, que levou espetáculos dos grupos a mais de vinte cidades das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

 

Em 2003 estrearam, no Festival de Curitiba, o espetáculo As Nuvens e/ou Um Deus Chamado Dinheiro, adaptação de Hugo Possolo de duas comédias de Aristófanes. Contemplados pela lei de Fomento ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, passam a realizar neste ano uma série de atividades, incluindo, além de temporada popular de As Nuvens..., apresentações de rua dos espetáculos Nada de Novo, Mix Parlapatões e U Fabuliô. Também dentro do mesmo projeto, realizaram o Caldo do Humor, série de debates sobre riso e sociedade, que contou com a participação de diversos pensadores e um fazedores de humor.

Em 2004, o grupo realizou e coordenou performances para o Skol Beats no Sambódromo de São Paulo, compondo um elenco de 40 pessoas entre atores e artistas circenses.

Também em 2004, a convite da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, criam o espetáculo Os Reis do Riso, no Teatro Sérgio Cardoso, me homenagem aos grandes compositores da música popular brasileira que fizeram canções humoradas.  

No segundo semestre de 2004, estrearam o espetáculo infantil O Bricabraque, um solo do ator Raul Barretto com texto e direção de Hugo Possolo. No período de festas de Natal do mesmo ano, o grupo criou e encenou o Auto dos Palhaços Baixo, para o Centro Cultura Banco do Brasil, em São Paulo.

No ano de 2005, a convite do grupo Pia Fraus, os Parlapatões participaram da montagem do espetáculo Farsa Quixotesca que realizou uma turnê pela Espanha e Portugal durante o mês de julho.

De volta ao Brasil, o grupo estreou o espetáculo Prego na Testa, um solo do ator Hugo Possolo, com texto de Eric Bogosian, direção e adaptação de Aimar Labaki. Este espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell 2005, na categoria de Melhor Ator.

O grupo iniciou o ano de 2006 com a superprodução de rua Hércules, em parceria com a companhia Pia Fraus. O espetáculo estreou no Festival de Curitiba e contava com uma carreta de 13m, área cênica de 20m x 15m, 2 andaimes (de 8m e 6m), 26 atores, bonecos gigantes e outros objetos de cena como um carro, cinco motos e uma ambulância. Em São Paulo, realizou temporada percorrendo espaços públicos, com sua arquibancada para 800 pessoas, em lugares como o Vale do Anhangabaú, o Parque da Independência, o Clube da Cidade e Campo da HACE, na Comunidade Heliópolis.

No mesmo ano, os Parlapatões, também em parceria com Pia Fraus, inaugura sua lona, o Circo Roda Brasil montado no Memorial da América Latina. Com um elenco composto de circenses, músicos, palhaços e dançarinos de street-dance, estrearam o espetáculo Stapafúrdyo, com roteiro e direção de Hugo Possolo.

No dia 11 de setembro, têm início as atividades do Espaço Parlapatões, localizado no centro de São Paulo. O teatro, com uma sala de espetáculos de 98 lugares; e o café, com um pequeno palco, integram nova sede do grupo, aberta do público. Localizado na Praça Roosevelt que passa a ser recuperado de sua degradação devido à instalação de diversos teatros.

Em 2007, o grupo estreou no Espaço Parlapatões o espetáculo infantil Parlapatões Clássicos do Circo, espetáculo circense, com texto e direção de Hugo Possolo. Em O Pior de São Paulo, criado pelo bufão italiano Leo Bassi, cujo roteiro foi adaptado por Hugo Possolo e Mario Viana, que é uma intervenção cênica realizada como um passeio turístico pela cidade.

Em 2007, entre diversas mostras e festivais produzidos pelos Parlapatões no Espaço Parlapatões realizam o Festival de Peças de UM MINUTO, reunindo textos curtos de 50 consagrados dramaturgos brasileiros.

Em 2009, o grupo estreou no Espaço Parlapatões o espetáculo O Papa e a Bruxa, com texto de Dario Fo e direção de Hugo Possolo.  Em 2010, o grupo continua com a circulação do espetáculo O Papa e a Bruxa e também apresenta outras peças de seu repertório em diversas cidades e festivais brasileiros.

No início 2008, estrearam no Teatro Amil, em Campinas, Bolinha e Bolão, peça infantil com texto e direção de Hugo Possolo. No mesmo ano a peça entra em cartaz no Teatro Folha, em São Paulo e cumpre turnês pelo interior do estado.

Em 2008, o Circo Roda Brasil estreia o espetáculo Oceano, roteiro e direção de Hugo Possolo, uma grande produção circense com mais de 20 artistas e 10 técnicos, que percorre em dois anos, de 15 cidades a tinge a marca de 200 mil espectadores.

Em 2008, estrearam Vaca de Nariz Sutil, adaptação da obra do romancista Campos de Carvalho. Além de extensa temporada no Espaço Parlapatões, a peça circulou por diversas cidades e principais festivais de teatro do país.

Em 2009, estrearam O Papa e A Bruxa, texto de Dario Fo, no Espaço Parlapatões. Realizaram temporadas nos Teatro João Caetano e Teatro Arthur Azevedo. Participaram do Teatro nas Universidades, realizando a peça em diversas universidades da grande São Paulo; do Circuito Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, em diversas cidades do interior e do Circuito Cultural da Caixa Econômica, apresentando em Curitiba e Brasília.

No mesmo ano, no evento Satyrianas, criam o espetáculo Freudislândia, de esquetes cômicos sobre a psicanálise e seus pacientes.

Ainda em 2009, dentro do evento Palhaçada Geral, realizaram o SP Fashion Clown, um espetáculo que parodiava os desfiles de moda, envolvendo diversos artistas convidados.

Em 2009, assim como Auto dos Palhaços Baixos que passa a se apresentar todo final de ano, próximo ao Natal, criaram A Missa do Galho, sátira das missas inspirada nas missas leigas medievais.

Em 2010, estearam com o Circo Roda a grande produção circense DNA – somos todos muitos iguais, roteiro e direção de Hugo Possolo, no Rio de Janeiro, no Teatro Carlos Gomes. Depois o espetáculo fez temporada no Teatro Paulo Autran, do Sesc Pinheiros e no Auditório Ibirapuera, ambos em São Paulo. DNA circulou por diversas cidades atingindo a marca de mais de 200 mil espectadores.

 

Em 2010, dentro da lona do Circo Roda estrearam o musical Parapapá! Circo Musical, junto com a Banda Paralela. O espetáculo recebeu duas indicações ao Prêmio Femsa, nas categorias Trilha Sonora e Figurino.

No mesmo ano estearam Meia Hora de Abelardo, montagem criada para circular pelos CEUs (Centros Unificados de Educação) no intuito de levar o debate sobre a presença da mídia no dia-a-dia dos jovens.

Ainda em 2010, realizam o segundo II Festival de Peças de UM MINUTO, desta vez com textos selecionados por concurso nacional. Foram mais de 200 inscritos de várias regiões país.

Também em 2010, para o Satyrianas, encenam Doce Axioma, peça que visava  debater a legalização do aborto no Brasil.

Em 2011, em comemoração aos 20 anos do grupo e de 5 anos do Espaço Parlapatões aconteceu a estreia do espetáculo Ridículos Ainda e Sempre, peça que representava a alegria de ser bem recebido pelo público durante 20 anos. A tradução feita por Tatiana Belinky, do texto de um poeta russo, surrealista, precursor do futurismo, pouco conhecido no Brasil, Daniil Kharms, foi adaptada por Antonio Abujamra e Hugo Possolo.

Ridículos Ainda e Sempre permitiu aos Parlapatões retomar elementos do início do grupo, como o espírito de cabaré de Karl Valentin, o cômico que influenciou Brecht. Assim, buscaram o sentido lírico naquilo que o palhaço tem de mais importante, que é fazer o público rir. Em sua celebração de 20 anos de grupo os Parlapatões fugiram da nostalgia e mergulharam com vigor em apontar a alegria dos próximos anos.

Em 2012, os Parlapatões retomaram em seu repertório o espetáculo PPP@WllmShkspr.br. Seguindo toda a construção cênica criada por Emílio Di Biasi, com nova roupagem de cenário e figurinos. A peça ficou em cartaz no Espaço Parlapatões, com grande sucesso de público, e participou de diversos festivais.

Ainda em 2012, dentro do Festival Cena Brasil Internacional estrearam Nóis Otário[s], peça de narrativa anárquica, que discutia a corrupção do Brasil, por meio de hipérboles e situações cômicas insólitas. O texto inédito do parlapatão Hugo Possolo, além da encenação, foi publicado pela editora Giostri, e teve seu lançamento conjunto com a estreia da peça.

Em 2010, estrearam nova produção do Circo Roda, intiulada Caravana, memórias de um picadeiro, roteiro de Beto Andreetta, textos de Luiz Alberto de Abreu e direção de Chico Pelúcio. O espetáculo circulou por diversas cidades brasileiras.

Desde sua inauguração em 2006, o Espaço Parlapatões produz e sedia anualmente Mostras, Festivais e Eventos, como o Festival de Cenas Cômicas, Festival de Peças de UM MINUTO, Mostra de Solos, Palhaçada Geral – Encontro Nacional de Palhaços, Concurso de Poesia Falada e a mostra anual do repertório dos Parlapatões: Sortidos & Variados.

Desde 2019, em parceria com a Chaim Produções, realizam a Festa do Teatro, que em suas três últimas edições distribuiu gratuitamente mais de 100 mil ingressos de Teatro para a população paulistana.

Em 2013, inauguram o Galpão Parlapatões, local voltado a cursos, oficinas e ensaios de Teatro, Circo e Música. No mesmo ano estrearam no Auditório Ibirapuera, o espetáculo circense Circo de Natal, com a Banda Sinfônica do Estado.

Hoje, o grupo mantém sua sede e seu teatro, o Espaço Parlapatões e o Galpão Parlapatões, com recursos próprios, para viabilizar o trabalho, tanto com espaço para ensaio, escritório de produção e armazenagem de cenários, quanto para realização de cursos, palestras, seminários e workshops.

O objetivo dos Parlapatões, hoje, é dar continuidade à sua pesquisa artística e a realização de turnês nacionais e internacionais, com seu repertório.